Ataques de gangues na Guatemala deixam 9 polícias mortos
- 20/01/2026
A polícia foi alvo de ataques coordenados no domingo em várias regiões do país, em retaliação pela retoma de três prisões onde membros de gangues mantinham dezenas de guardas reféns.
Oito polícias foram mortos no domingo, e um nono, baleado enquanto conduzia uma mota, morreu hoje num hospital público, segundo comunicados da polícia e do Ministério do Interior.
Um outro agente que seguia com o polícia hoje falecido está em estado grave, adiantaram as mesmas fontes.
Os motins nas prisões, que têm vindo a ocorrer desde meados de 2025, têm como objetivo protestar contra a transferência de líderes de gangues criminosos para uma prisão de segurança máxima e exigir o seu regresso a instalações menos restritivas.
O Presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo de León, declarou no domingo o "estado de emergência", reforçando os poderes das autoridades face aos gangues.
"Decidi decretar o estado de emergência em todo o território nacional por 30 dias a partir de hoje (domingo)", para "garantir a proteção e a segurança" dos guatemaltecos, declarou Arévalo de Léon num discurso.
O chefe de Estado anunciou ainda que a polícia assumiu o controlo das instalações prisionais onde membros de gangues mantinham reféns dezenas de pessoas desde sábado.
Arévalo de León confirmou que três prisões, localizadas no centro e no sul do país, onde ocorreram motins no sábado, nos quais vários guardas prisionais foram feitos reféns, estão já sob o controlo do Governo.
O mandatário garantiu que os guardas das três prisões foram resgatados ilesos, "sem que houvesse uma única baixa a lamentar", embora não tenha detalhado o número de pessoas resgatadas.
Devido aos motins e aos assassinatos das forças de segurança, Arévalo de León decretou estado de sítio por 30 dias, medida que permite às autoridades prender qualquer pessoa sem a necessidade de um mandado judicial.
Arévalo precisou que a libertação dos reféns ocorreu na sequência de operações "exemplares" por parte das forças de segurança nas prisões 'Renovación 1' (de segurança máxima), Centro de Detenção Preventiva Zona 18 e Fraijanes II, onde ocorreram os motins no sábado.
De acordo com o Presidente, as operações foram realizadas em conjunto pelo Ministério do Interior e pelo Ministério da Defesa Nacional.
"Quero dizer alto e claro que não negociamos com criminosos nem toleramos ações terroristas", afirmou o chefe de Estado numa mensagem à população no domingo.
Arévalo de Léon sublinhou que a declaração do estado de sítio não alterará a "vida quotidiana" dos cidadãos nem a "mobilidade da população", para além da suspensão das aulas programadas para esta segunda-feira nas escolas públicas e privadas.
Os gangues Barrio 18 e Mara Salvatrucha, considerados "terroristas" pelos Estados Unidos e pela Guatemala, estão envolvidos no narcotráfico e disputam o controlo de territórios no país centro-americano, onde extorquem dinheiro a comerciantes, transportadores e cidadãos comuns, e matam aqueles que se recusam a pagar.
Leia Também: Presidente da Guatemala decreta "estado de emergência" para combater gangues














