Ataques à energia e frio na Ucrânia? "É horrível ver sofrer a população"
- 20/01/2026
Os bombardeamentos russos deixaram sem eletricidade e aquecimento alguns dos principais centros urbanos, como Kyiv e Odessa, numa altura em que a população enfrenta temperaturas de "frio extremo".
"Centenas de milhares de famílias estão agora sem aquecimento", sublinhou o responsável da ONU para os Direitos Humanos, recordando que "tal afeta particularmente os mais vulneráveis, entre os quais as crianças, as pessoas mais velhas e as pessoas com deficiência".
Türk criticou Moscovo por prosseguir estes ataques apesar do "grave impacto" amplamente documentado que têm, principalmente na população civil.
"É uma clara violação das normas da guerra", apontou, referindo-se à invasão russa da Ucrânia iniciada a 24 de fevereiro de 2022 e ainda em curso, sem fim à vista.
"É horrível ver sofrer assim a população civil", lamentou, depois de ter instado as autoridades russas a cessar os ataques sobre esses alvos, que só na última noite provocaram cortes de luz e aquecimento em várias regiões de todo o país, após semanas de interrupções semelhantes.
A ONU indicou que, desde outubro de 2025, as Forças Armadas russas intensificaram os ataques às infraestruturas energéticas da Ucrânia.
Tais ataques, somados aos de 2024, reduziram drasticamente a capacidade do país para abastecer a totalidade do território nacional.
Nos últimos meses, os cortes de energia duraram até 18 horas por dia.
As temperaturas gélidas, que atingiram -10°C, juntamente com os cortes de energia e aquecimento, impediram os mais jovens de regressar às salas de aula em segurança.
Em Kyiv, por exemplo, as autoridades tiveram de encerrar as escolas devido a estes problemas.
Restringir o acesso à educação "é mais um golpe devastador para as crianças ucranianas", declarou Sven Coppens, responsável pela resposta humanitária à crise na Ucrânia da organização não-governamental Plan International.
"Para as crianças ucranianas, a escola não é apenas um lugar para aprender, mas também um espaço fundamental de segurança, rotina e apoio emocional, do qual estão agora a ser privadas", explicou.
"Cada semana adicional fora da escola aumenta as lacunas educacionais e aprofunda o impacto psicológico desta guerra", sustentou Coppens, advertindo de que o trabalho das organizações humanitárias é insuficiente para satisfazer estas necessidades, o que torna o apoio dos aliados da Ucrânia essencial mais uma vez, porque "a educação não é um luxo".
Apelou, por isso, às autoridades ucranianas e aos seus aliados para "continuarem a dar prioridade à educação, a investir em soluções energéticas de emergência para as escolas e a alargar o leque de opções de aprendizagem flexíveis e inclusivas".
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