Ataque a Caracas é a 6.ª intervenção dos EUA na América Latina em 75 anos
- 03/01/2026
O presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou que os Estados Unidos realizaram "com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e o seu líder, Nicolás Maduro -- a quem acusa de narcotráfico --, que foi, juntamente com a sua mulher, capturado e retirado do país por via aérea".
A Venezuela denunciou que o ataque com mísseis lançados por helicópteros norte-americanos contra zonas civis de Caracas, bem como outros locais do país, causou a morte de "militares e civis", ainda por contabilizar, e admitiu que desconhece o paradeiro de Maduro e da respetiva mulher.
Seguem-se, segundo a agência noticiosa espanhola EFE, as principais intervenções dos Estados Unidos na América Latina ao longo dos últimos 75 anos.
Baía dos Porcos - Cuba
A 15 de abril de 1961, aviões B-26 enviados pelos Estados Unidos bombardearam bases cubanas para aniquilar a Força Aérea Revolucionária e facilitar o desembarque em Playa Girón da chamada Brigada 2506, composta por exilados e mercenários treinados pela CIA na Guatemala e na Nicarágua.
No dia seguinte, o então Presidente cubano, Fidel Castro, declarou o caráter socialista da revolução que o levara ao poder em janeiro de 1959 e, a 17 de abril, a Brigada 2506, integrada por cerca de 1.500 homens armados e apoiados por aviões e navios da força naval dos Estados Unidos, tentou desembarcar em Playa Girón, na Baía dos Porcos, Cuba, a cerca de 180 quilómetros a sudeste de Havana.
O ataque tinha como objetivo derrubar Castro e instaurar um governo que havia sido formado em Miami, mas foi reprimido pelo exército cubano.
A invasão da Baía dos Porcos ocorreu no contexto da aproximação do regime cubano à URSS e o seu fracasso representou um grave revés para o então Presidente norte-americano John F. Kennedy, ao mesmo tempo que reforçou o regime castrista e agravou as relações entre os dois países.
República Dominicana
A 28 de abril de 1965, o então Presidente dos Estados Unidos Lyndon B. Johnson enviou 20.000 fuzileiros para a República Dominicana para reprimir o conflito civil que assolava o país, após a chegada de Juan Bosch ao poder após a morte do ditador Leónidas Trujillo, em 1961, que foi deposto pelos militares.
A intenção dos Estados Unidos era evitar que o país caísse nas mãos do comunismo e que se criasse "uma segunda Cuba" nas Caraíbas.
Washington colocou o general Antonio Imbert Barrera à frente do governo e, em setembro de 1966, as tropas norte-americanas abandonaram o país, pouco antes da realização das eleições presidenciais, nas quais Bosch foi derrotado por Joaquín Balaguer, que havia feito parte do governo do ditador Trujillo e permaneceria no poder até 1996.
Granada
A 25 de outubro de 1983, quase 2.000 fuzileiros norte-americanos, juntamente com uma força simbólica de 300 soldados de outros pequenos países caribenhos -- Jamaica, Antígua, Barbados, Dominica, Santa Lúcia e São Vicente -- invadiram a ilha caribenha de Granada para derrubar o regime militar que havia tomado o poder seis dias antes, a 19 de outubro, após executar o chefe do governo, Maurice Bishop, três dos seus ministros e numerosos civis.
O golpe, de influência comunista, derrubou um governo que havia chegado ao poder em 1979 também após um golpe de Estado -- neste caso, sem derramamento de sangue -- e instaurou um governo apoiado por Cuba e reconhecido pelos EUA e pelo Reino Unido.
O então Presidente norte-americano Ronald Reagan justificou a chamada "Operação Fúria Urgente" pela necessidade de proteger as vidas dos milhares de norte-americanos residentes na ilha e restaurar as instituições democráticas.
A maior parte das tropas norte-americanas deixou o país a 01 de novembro de 1983.
Panamá
Na noite de 20 de dezembro de 1989, com George Bush na Casa Branca, 26.000 soldados norte-americanos entraram no Panamá para desmantelar o exército do país e capturar o ditador Manuel Antonio Noriega, acusado de tráfico de drogas, na operação "Causa Justa".
Mais de 500 pessoas morreram, 314 delas militares e a maioria panamianos, segundo dados divulgados pelo Pentágono em 2019, embora organizações humanitárias estimem que entre 500 e 4.000 civis tenham morrido.
Noriega, que governou o país entre 1983 e 1989 e tinha sido colaborador da CIA, rendeu-se 13 dias depois às tropas dos Estados Unidos que cercavam a Nunciatura Apostólica no Panamá, onde se tinha refugiado após a invasão.
Haiti
A 19 de setembro de 1994, mais de 23.000 militares norte-americanos ocuparam pacificamente o Haiti para facilitar a transição para a democracia e o retorno de Jean-Bertrand Aristide, o primeiro presidente do Haiti eleito em eleições democráticas (1990), que havia sido derrubado em 30 de setembro de 1991 por um golpe militar liderado pelo general Raoul Cedras.
A chegada dos militares ocorreu horas depois de uma delegação norte-americana, liderada pelo ex-presidente Jimmy Carter, ter chegado a um acordo com Cedras para a entrada das tropas dos EUA no Haiti, a saída do país do governo golpista, o regresso de Aristide e a convocação de futuras eleições.
Aristide regressou ao Haiti a 15 de outubro e retomou o seu mandato. No final de março de 1995, as forças norte-americanas transferiram para a ONU o comando da operação de paz e, em junho, foram realizadas eleições legislativas e municipais, que a oposição denunciou por favorecerem o partido de Aristide.
Quase uma década depois, em fevereiro de 2004, os Estados Unidos voltariam a enviar fuzileiros para o Haiti, desta vez como parte de uma coligação internacional autorizada pela ONU, após uma revolta armada que provocou a saída de Aristide.
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