Arcebispo de Caracas elogia integração e agradece contributo dos portugueses
- 02/02/2026
"Nós, venezuelanos, em primeiro lugar, devemos agradecer pelo que nos deram. Continuemos a partilhar tantas coisas para crescer. Nos fortalecemos com aquilo que nos une, com esse maravilhoso intercâmbio de cultura e valores cristãos que os portugueses nos trouxeram", disse no domingo.
Baltazar Porras falava à Lusa à margem da celebração da Festa das Fogaceiras em honra do mártir São Sebastião, durante a qual sublinhou que a devoção a Nossa Senhora de Fátima, que "faz parte do coração dos venezuelanos" foi levada para o país, por portugueses, "homens e mulheres comuns, mas com uma profunda fé em Maria Santíssima".
"Temos de destacar o quanto recebemos, na Venezuela, das comunidades [estrangeiras]. Após a Segunda Guerra Mundial, que sabemos tudo o que significou para a Europa, chegaram multidões de italianos, espanhóis e portugueses que hoje estão entre nós, que nos deram muito, a sua cultura, sentido do trabalho e transmitiram-nos também muitas tradições de fé", disse o sacerdote.
Sublinhando que "temos de ser gratos", Porras explicou que "a Venezuela de hoje não é a mesma" de há 70 anos, de quando ainda não tinham chegado, e que esses valores que se expressam na cultura, no trabalho, na fé, na gastronomia e nas tradições religiosas estão enraizados localmente.
"Já não são apenas deles, também fazem parte de nós, e temos de ser gratos", disse sublinhando que "as melhores 'arepas' [massa de milho recheada que se come principalmente ao pequeno-almoço] são feitas por portugueses e graças a eles aprendemos a comer legumes, hortaliças e bacalhau", disse.
O arcebispo emérito de Caracas agradeceu o convite para participar pela quarta vez na Festa das Fogaceiras em honra do mártir São Sebastião, que definiu como "uma expressão de fé, de caridade e serviço" que envolve também dezenas de crianças que, na procissão, levaram cada uma um pão fogaceiro à cabeça, para distribuir aos carenciados.
"Este padroeiro, este santo é já também muito venerado em vários lugares da Venezuela onde representa principalmente a coragem, a dedicação e o serviço aos outros em tempos difíceis", disse.
Por outro lado, o embaixador de Portugal na Venezuela, João Pedro Fins do Lado, explicou que a Festa das Fogaceiras "é uma tradição portuguesa muito importante, que os portugueses, com o seu movimento associativo com a sua fé, com seu espírito forte de comunidade levaram para a Venezuela".
"É um momento de visibilidade para a nossa comunidade que é muito trabalhadora é que ajudou a construir este país, que faz parte do seu tecido económico e social, que tem orgulho nas suas raízes portuguesas nos seus laços com o nosso Portugal. É um momento de confraternização, de grande solidariedade, e uma razão para se reunirem e para se sentirem seguros e confiantes", disse o diplomata, sublinhando a profunda espiritualidade luso-venezuelana.
António Reis, da Associação Amigos de Terras de Santa Maria da Feira, explicou à Lusa que as circunstâncias atuais na Venezuela levaram a que a participação fosse mais moderada.
"Não foi uma festa como queríamos, mas o importante é que os nossos mordomos, as nossas 31 freguesias do Conselho de Santa Maria da Feira, continuam a estar representadas (...) prevaleceu a nossa intenção, devoção", disse.
Reis explicou que pensar em São Sebastião é também pensar nos mais desfavorecidos, nos mais pobres, em quem não tem nada para comer, entre eles portugueses, e que a associação tem contribuído com várias ações de beneficência.
"E, já que estamos a honrar o mártir São Sebastião, pois que ele interceda por nós e que tenhamos paz (...), Nós [portugueses] queremos viver em paz, nós somos trabalhadores que andamos pelo mundo, e queremos paz e que nos deixem trabalhar tranquilos", disse.
Leia Também: MNE confirma libertação de mais um luso-venezuelano. "Emoção, justiça"














