Angola doa 75 toneladas de produtos a vítimas de cheias em Moçambique
- 27/01/2026
"Nós estamos a trazer cerca de 75 toneladas de bens diversos, medicamentos e material gastável, roupa, trouxemos também tendas e alimentos", disse Pinto de Souza, secretário de Estado para Saúde de Angola, após a chegada dos donativos, em Maputo.
As 20 toneladas chegaram num avião da Força Aérea de Angola, e a ajuda restante chegará a Moçambique a partir de quarta-feira, adiantou.
"Trata-se de uma manifestação de solidariedade e apoio que certamente vai reduzir os efeitos das chuvas (...). Angola está de mãos dadas com Moçambique e, naturalmente, todo o apoio virá por parte do Governo angolano", referiu Pinto de Sousa.
O secretário de Estado da Economia de Moçambique, António Grispos, agradeceu o apoio, referindo que, neste momento, as vítimas precisam de "tudo" para "minorar o sofrimento" causado pelas intempéries.
"Estamos bastante sensibilizados por este gesto. Extremamente agradecidos com esta oferta que vem minorar o sofrimento de muitos moçambicanos nestas que podem ser, se calhar, as piores cheias do pós-independência, com um rasto devastador e desestabilizador", disse Grispos.
O secretário de Estado assinalou o facto de Angola ter estendido a mão à Moçambique, mais uma vez, em períodos difíceis, referindo que a ação "mostra o grande sentimento" que tem por Moçambique.
"Isto mostra o grande sentimento para com Moçambique, que é recíproco. Esta reciprocidade de irmãos que temos entre os povos do Atlântico e do Índico [está] representada nessas 75 toneladas, que parte delas recebemos hoje", frisou o responsável.
António Grispos destacou os esforços do Governo moçambicano no apoio aos afetados pelas cheias, referindo, entretanto, que "nunca é suficiente para a tamanha desgraça" que se abateu sobre as populações.
Além de Angola, a União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Noruega e Japão, bem como países vizinhos da África Austral, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência para Moçambique.
Pelo menos 14 pessoas morreram nas cheias das últimas semanas em Moçambique, com quase 155 mil casas inundadas, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e com dados até às 15:30 (13:30 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país já afetaram 691.522 pessoas, equivalente a 151.962 famílias, ainda com 14 mortos - mais dois face a segunda-feira -, 3.447 casas parcialmente destruídas, 771 totalmente destruídas e 154.797 inundadas.
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias ainda aguardam resgate, sobretudo no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, já morreram 137 pessoas em Moçambique, além de 148 feridos e 812.335 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.
Segundo os dados de hoje, estão atualmente ativos 100 centros de acomodação (11 foram, entretanto, encerrados), com 94.657 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 353 escolas, quatro pontes e 1.336 quilómetros de estrada.
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