Amnistia: Ataque dos EUA é "provável violação do direito internacional"
- 04/01/2026
Num comunicado, a organização de defesa e promoção dos Direitos Humanos, com sede em Londres, mostra "grande preocupação" com a possibilidade de uma escalada da tensão provocar violações dos Direitos Humanos.
"A ação militar da administração [do Presidente dos EUA, Donald] Trump na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro e [respetiva mulher] Cilia Flores, gera grande preocupação pelos direitos humanos da população venezuelana. É muito provável que constitua uma violação do direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas, assim como a intenção declarada dos Estados Unidos de governar a Venezuela e controlar os seus recursos petrolíferos", indicou a organização.
A Amnistia instou os Estados Unidos a "priorizar a proteção dos civis e defender os direitos humanos das pessoas privadas de liberdade, entre as quais se encontra o mandatário venezuelano.
Por outro lado, pediu ao Governo da Venezuela que se abstenha de mais "repressão", estendendo às autoridades do país latino-americano a necessidade de respeitar a legislação internacional e a proteção dos direitos humanos de "todos os venezuelanos".
"Entre aqueles que correm maior risco imediato estão os defensores dos direitos humanos e ativistas políticos que se opuseram corajosamente durante anos às violações dos direitos humanos e aos crimes de direito internacional cometidos pelo governo de Maduro. A Amnistia Internacional solidariza-se com o povo venezuelano, sobretudo com as milhares de vítimas e sobreviventes e os milhões que fugiram após anos de graves violações e crimes contra a humanidade", acrescentou a organização.
A AI também exigiu -- como já fez em ocasiões anteriores -- que o Governo de Maduro seja investigado e que um tribunal "independente e imparcial" o julgue "quando as provas o permitirem" quem assim o desejar.
Para a Amnistia Internacional, a intervenção militar na Venezuela e a captura de Maduro por um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU "aprofundam ainda mais a deterioração do direito internacional e da ordem estabelecida".
"Estas ações são um sinal de um sistema internacional regido pela força militar, ameaças e intimidação, e aumentam o risco de que outros cometam atos semelhantes", concluiu a organização.
Leia Também: Estados Unidos levantam restrições de voo nas Caraíbas














