Alto-comissário da ONU pede fim da repressão no Irão. "É inaceitável"
- 13/01/2026
"O assassínio de manifestantes pacíficos tem de parar e é inaceitável rotular manifestantes como terroristas para justificar a violência contra eles", lê-se em comunicado do austríaco Volker Türk.
Para Türk, "os iranianos têm direito ao protesto pacífico" e "as suas queixas devem ser ouvidas e atendidas e não devem ser exploradas por ninguém".
O responsável da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu às autoridades iranianas para acabarem "imediatamente com todas as formas de violência e de repressão contra manifestantes pacíficos" e para que seja restabelecido "o pleno acesso à internet e aos serviços de telecomunicações".
O Irão vive nova vaga de protestos, iniciada na capital por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a dezenas de cidades do país.
A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos da América (EUA) e da ONU devido ao incumprimento do programa nuclear de Teerão.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irão quer negociar com Washington, após a sua ameaça de atacar aquela república islâmica devido à repressão sobre os manifestantes, que, segundo ativistas, provocou pelo menos 646 mortos.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, em entrevista à televisão Al Jazeera, disse que continuava em contacto com o enviado dos EUA, Steve Witkoff.
Após as concentrações pró-governamentais de segunda-feira, o líder supremo do Irão considerou que se tratou de "um aviso aos políticos norte-americanos para que parem com as manobras enganadoras".
Ali Khamenei acrescentou que estas "manifestações maciças e determinadas frustraram o plano de inimigos estrangeiros", que seria executado por "mercenários iranianos".
Em junho passado, Israel e Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra instalações ligadas ao programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão.
A repressão das novas manifestações tem sido severa, e as autoridades restringiram o acesso à Internet em todo o país.
Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, pretende o envio de satélites da empresa Starlink, do multimilionário Elon Musk, de forma a garantir que a população se mantenha online.
Leia Também: "Condenação veemente". Governo chama Embaixador do Irão em Lisboa














