11 dias antes de morrer, Pretti tinha entrado em confronto com ICE
- 29/01/2026
Um novo vídeo mostra um confronto entre Alex Pretti e agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) 11 dias antes de o enfermeiro ser assassinado pelos agentes federais durante um protesto em Minneapolis, no estado do Minnesota.
As imagens foram publicadas na quarta-feira pelo órgão de notícias digital The News Movement.
O meio afirma que as imagens foram gravadas a 13 de janeiro, enquanto gravavam um documentário sobre a atividade do ICE em Minneapolis. Acrescenta ainda que o vídeo foi analisado pela BBC, cuja tecnologia de reconhecimento facial confirmou, com 97% de certeza, que o homem nas imagens é Alex Pretti.
O vídeo com quase três minutos mostra o enfermeiro a gritar e a cuspir na direção de um carro do ICE.
"Lixo de merda", ouve-se Pretti a dizer nas imagens.
Pouco depois, o homem de 37 anos, começa a dar pontapés na traseira do veículo, acabando por partir um dos faróis, que fica pendurado por alguns fios.
Perante a agressão, os agentes federais saem do carro, dirigindo-se a Pretti e atirando-o ao chão.
Durante a altercação, e segundo o The News Movement, os agentes do ICE lançaram gás pimenta contra a multidão, que gritava para que Pretti fosse solto.
O enfermeiro acaba por ser libertado e fica de costas para a câmara que grava o incidente. Na sua cintura, preso a um cinto, parece estar uma arma de fogo.
Passam alguns momentos de clara tensão, com manifestantes a gritarem contra os agentes do ICE. É possível ver Pretti ainda a agarrar no que parece ser neve, mas não fica claro pelas imagens se chega a atirá-la.
Pode ver o vídeo na íntegra na publicação abaixo.
Ao jornal The Guardian, um representante da família confirmou que era Pretti que estava nas novas imagens partilhadas.
"Uma semana antes de o Alex ser atingido na rua - apesar de não constituir uma ameaça para ninguém - ele foi violentamente agredido por um grupo de agentes do ICE", afirmou Steven Schleicher, um advogado da família. E acrescentou: "Nada que tenha acontecido uma semana antes pode justificar a morte do Alex".
Pretti terá sofrido ferimentos no incidente com o ICE, mas não procurou ajuda médica.
Durante as imagens não fica claro o que terá despoletado a revolta dos manifestantes no local, nem de Pretti. Contudo, um jornal local que cobre as comunidades imigrantes, Sahan Journal, e que reportou o incidente no dia reportou que mais de 100 pessoas se tinham reunido em protesto, após terem conhecimento da presença do ICE na zona.
O mesmo meio, relatou ainda que uma mulher terá sido removida à força do seu veículo, após os agentes federais terem partido a janela do carro. Uma outra mulher, representante estatal, revelou que o ICE também foi agressivo consigo, sem nunca ter dado qualquer indicação verbal.
Pretti foi morto uma semana depois. Agentes envolvidos foram suspensos
Alex Pretti foi morto a 24 de janeiro durante um protesto contra o ICE em Minneapolis. Inicialmente, o Departamento de Segurança Interna norte-americano, que tem a tutela do ICE, alegou que o enfermeiro de 37 anos teria uma arma na mão e que os agentes dispararam para se protegerem do homem.
Durante a operação, defendeu o departamento, "um homem aproximou-se dos agentes da patrulha fronteiriça com uma pistola semiautomática de nove milímetros, os agentes tentaram desarmá-lo, mas este resistiu violentamente". "Temendo pela sua vida e dos seus companheiros, um agente disparou em legítima defesa".
Contudo, vários vídeos gravados naquele momento, mostram que Pretti tinha um telemóvel na mão - e não uma arma.
Sabe-se agora, também, que ao todo foram disparados 10 tiros por dois agentes (e não apenas um como se pensava inicialmente). Ambos foram temporariamente suspensos das funções, enquanto decorre uma investigação ao caso.















